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Avião usado por Flávio Bolsonaro e família tem rota identificada; entenda a viagem

Foto: Foto: Reprodução / FlightAware / YouTube

Por Arimatéia Júnior — 28/10/2026 09:26

Montagem
Montagem (Foto: Surgiu.com)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de sair do país. A entrada da família na Argentina ocorreu na noite de terça-feira (27), Bolsonaro embarcou em um avião particular com destino declarado a Guayaquil, no Equador. A aeronave seguiu depois rumo aos Estados Unidos, segundo informações sobre o monitoramento do voo divulgadas nesta quarta-feira (28).

A viagem aconteceu poucas horas depois de terminar o prazo para Flávio entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF). O senador não apresentou os documentos até as 11h de terça-feira, conforme a ordem do ministro Alexandre de Moraes.

A saída do país também ocorreu após a PF apontar riscos de fuga e solicitar medidas para impedir que o parlamentar deixasse o território brasileiro.

Bolsonaro entrou na Argentina antes de embarcar em avião
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio, a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as filhas Carolina e Luiza entraram no país às 22h50 de terça-feira (27).

O grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.

Em comunicado, as autoridades argentinas informaram que os quatro apresentaram documentos de viagem válidos para entrar no país e que o procedimento ocorreu sem incidentes.

Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, a família embarcou em um voo particular operado pela empresa Baires Fly S.A. O plano de voo indicava Guayaquil, no Equador, como destino imediato.

A aeronave utilizada é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. De acordo com informações de monitoramento aéreo divulgadas nesta quarta-feira, o avião fez uma escala no Equador antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos.

Moraes havia proibido senador de deixar o Brasil
A viagem ocorreu após Alexandre de Moraes determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o país.

A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz, relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro. O processo tramita sob sigilo de Justiça.

Além de exigir a entrega dos documentos, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros emitidos em nome do parlamentar, incluindo o diplomático.

Flávio, porém, não cumpriu o prazo estabelecido. Diante disso, a Polícia Federal cancelou os documentos brasileiros e informou que comunicaria o descumprimento da ordem ao ministro.

O senador também possui passaporte italiano, concedido em 2023. As informações divulgadas pelas autoridades argentinas não esclareceram qual documento ele apresentou ao atravessar a fronteira.

PF havia apontado risco de fuga
Antes da saída do parlamentar, a Polícia Federal alertou para o que classificou como riscos concretos e atuais de fuga.

Entre os elementos apresentados pela corporação estavam uma declaração pública do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que defendeu que ele deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial, além da capacidade financeira do senador e da existência de estruturas no exterior que poderiam facilitar uma permanência prolongada fora do país.

Flávio havia negado a intenção de deixar o Brasil. Em um vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (26), ele afirmou que recebeu a intimação para entregar os passaportes ao sair da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na ocasião, o senador criticou a decisão judicial e declarou que pretendia continuar atuando na oposição ao governo Lula.

Governo Trump sinalizou autorização para entrada nos EUA
A viagem também ganhou repercussão internacional após o governo dos Estados Unidos informar que concederia vistos a Flávio e aos familiares e permitiria a entrada deles no país.

O presidente Donald Trump afirmou que aprovaria a ida do senador aos Estados Unidos. Na mesma manifestação, voltou a criticar as eleições brasileiras, mas não apresentou provas para sustentar suas alegações sobre supostas irregularidades.

A declaração ocorreu depois da derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

Apesar da sinalização do governo norte-americano, a autorização de entrada e a chegada efetiva da família são questões distintas. Por isso, a confirmação do desembarque em Miami depende de informações atualizadas sobre o voo.

Saída pode gerar novos desdobramentos judiciais
A saída do Brasil, apesar da proibição determinada pelo STF, pode levar a novos desdobramentos no processo. A Polícia Federal deverá comunicar às autoridades judiciais os elementos relacionados ao descumprimento da ordem.

Caberá a Alexandre de Moraes avaliar as informações e decidir sobre eventuais providências. A viagem, por si só, não permite antecipar qual será a próxima decisão do ministro.

O caso também levanta questionamentos sobre como o senador conseguiu atravessar a fronteira brasileira depois de a PF alertar para o risco de fuga e adotar medidas migratórias.

Até o momento, os registros divulgados pela Argentina confirmam a entrada de Flávio no país vizinho e o embarque para o Equador. A confirmação do destino final e os próximos passos da investigação deverão esclarecer o alcance das consequências jurídicas da viagem.