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Brasileiro supera barreiras internacionais e completa volta ao mundo em avião monomotor

Por Arimatéia Júnior — 07/11/2026 08:26

Monomotor
Monomotor (Foto: r7.com)

Dar a volta ao mundo em um avião monomotor exigiu encontrar caminhos que fossem viáveis tanto no ar quanto nas regras de cada país. Autorizações internacionais, restrições à operação de uma aeronave experimental e tensões geopolíticas provocaram esperas e mudanças de percurso durante a expedição brasileira concluída em setembro de 2026. As soluções incluíram reorganizar escalas na Ásia e redesenhar o retorno ao Brasil após um impasse no México.

À frente da jornada estava o piloto cearense Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, idealizador do projeto Frotas Pelo Mundo. Sozinho em um monomotor experimental, percorreu 78 mil quilômetros pelos cinco continentes ao longo de 182 dias. Segundo o balanço do projeto, foram 297 horas de voo e pousos em 33 países.

Quando a autorização muda o caminho
A condição experimental da aeronave ajuda a explicar parte da dificuldade. Essa categoria possui regras próprias de certificação e operação, e a autorização para voar no país de origem não garante acesso automático ao espaço aéreo estrangeiro.

Dependendo das exigências do destino, é necessária uma permissão específica da autoridade aeronáutica local. Nos Estados Unidos, por exemplo, a agência de aviação prevê uma autorização especial para aeronaves estrangeiras sem certificado equivalente ao padrão americano.

No México, a dificuldade para obter permissão de voo devido à condição experimental do avião alterou o retorno ao Brasil. O plano era atravessar o país, seguir pela América Central e descer pela costa do Pacífico da América do Sul até entrar em território brasileiro por Porto Alegre. O piloto permaneceu quatro dias no México até conseguir autorização para voltar aos Estados Unidos.

A partir dali, reorganizou o trajeto pelo Golfo do México e pelo Caribe, antecipando a entrada no Brasil pela Região Norte. “Dar a volta ao mundo exige entender que o caminho pode mudar sem que você precise desistir do destino. No México, a solução foi voltar aos Estados Unidos e reorganizar o retorno ao Brasil. Era preciso encontrar uma alternativa que respeitasse as autorizações e fosse viável para o avião, mesmo que isso significasse deixar de passar por lugares que eu queria conhecer”, afirma Alex.

Decidir por onde seguir para chegar ao destino
O episódio mostra a importância de reconhecer quando um caminho deixou de ser viável e buscar uma alternativa para preservar o objetivo da viagem. Diante da impossibilidade de avançar pelo México, retornar aos Estados Unidos permitiu reorganizar a etapa seguinte. Resolver o problema exigiu mudar o percurso sem perder de vista a conclusão da volta ao mundo.

Uma decisão desse tipo também envolve critérios técnicos. Alterar uma escala exige rever distâncias, autonomia de combustível, condições meteorológicas e opções de pouso e abastecimento, além das permissões necessárias. A rapidez de raciocínio precisa vir acompanhada dessa análise: encontrar outro trajeto só resolve o impasse quando ele pode ser cumprido dentro das condições de operação da aeronave.

Antes do impasse mexicano, o piloto enfrentou outra espera nas Filipinas. Segundo as informações do projeto, foram sete dias no país em busca de autorizações para continuar pela Ásia. A dificuldade estava em encontrar um caminho que pudesse ser percorrido com as permissões necessárias para o avião.

“A decisão precisa ser rápida, mas não pode ser apressada. Cada mudança de rota exige conferir combustível, distância, meteorologia, locais de pouso e permissões. Às vezes, a melhor resposta é esperar em solo. Em outras, é buscar outro caminho. O importante é avaliar o que mudou e decidir com segurança como continuar”, destaca o piloto.

O percurso asiático reuniu tensões relacionadas a Taiwan, passagem pela Coreia do Sul e um desvio para evitar a Coreia do Norte antes da entrada na Rússia. Questões geopolíticas surgem quando as relações de poder e os interesses entre países interferem no uso de territórios, fronteiras e rotas. Na aviação, isso pode representar restrições de passagem e a necessidade de buscar outro caminho, além das exigências técnicas e documentais de cada destino.

Depois de atravessar a Rússia, Alex seguiu para o Alasca, passou pelo Canadá e retornou aos Estados Unidos, completando a travessia de volta ao continente americano antes do novo obstáculo no México.

As esperas e os desvios fizeram parte dos 182 dias da expedição tanto quanto as horas no ar. Para chegar novamente ao Brasil, foi necessário decidir quando aguardar uma liberação e quando abandonar um trecho previsto. O destino permaneceu o mesmo, mas o caminho exigiu soluções ao longo da viagem.