Polícia
Força Nacional fica em aldeias Guarani-Kaiowá por tempo indeterminado
Por Arimatéia Júnior — 01/11/2026 09:29

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, confirmou, neste sábado (31), que a Força Nacional de Segurança Pública permanecerá por tempo indeterminado em três aldeias Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul. O povo indígena tem sido alvo de ameaças e episódios de violência desde as eleições.
A decisão foi anunciada durante visita ministerial às comunidades, após a circulação de áudios com ameaças de envenenamento da água e um conjunto de denúncias reunidas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.
A Força Nacional está presente nas aldeias Sassoró (Tacuru), Taquaperi (Coronel Sapucaia) e Limão Verde (Amambai) desde quinta-feira (29), com 145 agentes distribuídos entre as três comunidades.
Além de manter o efetivo atual, o ministro anunciou reforço no número de agentes e a adoção de um protocolo chamado de “minuto a minuto”.
Pelo modelo, os agentes permanecem continuamente na área de operações, prontos para deslocamento imediato diante de qualquer ocorrência de aparência criminosa, mediante acionamento da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal ou das forças estaduais.
“Esse programa minuto a minuto informará através de imagem e detecção no local qual o tipo de ocorrência é verificada e sempre que possível já apontando a sua autoria e materialidade”, afirmou o ministro.
Denúncias de violência e ameaças
A mobilização da Força Nacional é resposta a um conjunto de denúncias de ameaças e violência contra o povo Guarani-Kaiowá registrado após as eleições presidenciais.
O caso mais grave envolve áudios que circularam em grupos de WhatsApp com ameaças de envenenamento da água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru. Em uma das gravações, há a expressão “Tem que matar essas pragas na água”, em referência aos indígenas da comunidade.
Segundo a Polícia Federal, dois servidores admitiram a autoria dos áudios, mas negaram intenção de concretizar a ameaça. De acordo com a corporação, os investigados atribuíram as falas a “bebedeira” e ao “aquecimento da questão política” após o resultado das eleições.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) contabilizou mais de 30 casos de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul no período pós-eleitoral, incluindo mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte, manifestações racistas e suspeitas de envenenamento de água também em Nioaque.