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Nova espécie de planta descoberta no Tocantins recebe nome em homenagem a Marina Silva

Ex-ministra celebrou o tributo científico

Por Arimatéia Júnior — 02/11/2026 10:13

Chamaecrista marinasilvae
Chamaecrista marinasilvae (Foto: Jornal do Tocantins)

A ambientalista e ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, celebrou nas redes sociais uma nova homenagem prestada pela comunidade científica brasileira: a descrição de uma espécie vegetal inédita do Cerrado batizada em seu tributo, a Chamaecrista marinasilvae. Trata-se da terceira vez em que a líder histórica da preservação ambiental tem seu nome eternizado na taxonomia biológica.

Em publicação no Instagram na sexta-feira (30), Marina afirmou ter recebido a notícia com emoção e classificou o batismo como "uma das maiores honrarias" para quem atua na causa ecológica. Ao agradecer à equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), a ex-ministra pontuou que o reconhecimento renova sua dedicação à biodiversidade e chamou a atenção para a fragilidade da nova planta, que já é descrita sob risco de extinção no Tocantins.

A descrição da planta resulta da dissertação de mestrado da botânica Késia Ramos Miranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da UFOB, em Barreiras (BA). O estudo foi desenvolvido no Laboratório de Sistemática Vegetal e vinculado ao acervo do Herbário BRBA da instituição, sob orientação da professora doutora Juliana Gastaldello Rando, em parceria com pesquisadores da Embrapa Cenargen, incluindo o taxonomista Marcelo Simon e a pesquisadora Raiana Rocha. A oficialização do achado está publicada no periódico internacional Nordic Journal of Botany.

Alerta ecológico
Pertencente à família das leguminosas (Fabaceae), a Chamaecrista marinasilvae possui distribuição geográfica restrita ao estado do Tocantins, com registros na região do Jalapão. Parte dos indivíduos catalogados localiza-se no interior da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins. Mesmo recém-descrita, a espécie já entra na literatura científica classificada sob risco de extinção em decorrência da perda e fragmentação de habitat causadas pelo desmatamento e pela expansão da fronteira agrícola no Cerrado.

Reconhecimento ambiental
Ao comentar a publicação científica, Marina Silva destacou a importância das unidades de conservação e da pesquisa: A autora do trabalho, Késia Ramos Miranda, respondeu à publicação ressaltando a relevância da homenageada: "Foi um prazer fazer essa homenagem a você, Marina! Você tem grande importância na luta pela conservação da natureza". Em publicação institucional, o Herbário da UFOB reforçou que o nome científico traz "um significado político e simbólico que homenageia Marina Silva, em sua trajetória de luta em defesa do meio ambiente, da preservação da biodiversidade e das políticas de proteção ambiental".

Tributo a Marina Silva
A nova leguminosa descrita no Tocantins amplia o conjunto de homenagens taxonômicas dedicadas à trajetória da ex-ministra:

- Marmosops marina (2020) --- Mamífero amazônico: Espécie de cuíca (pequeno marsupial arborícola) identificada por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) no sul da Amazônia. O tributo homenageou a implementação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

-Spathaspora marinasilvae (2024) --- Levedura com potencial biotecnológico: Microrganismo isolado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do INCT Leveduras em ecossistemas amazônicos, com capacidade de fermentar xilose para produção de biocombustíveis (etanol de segunda geração) e xilitol.

Em 2010, o médico e entomologista Angelo Machado também descreveu a espécie de libélula Philogenia marinasilva, a partir de espécimes coletados no Acre. Essa é uma das primeiras homenagens formais de pesquisadores brasileiros a Marina Silva, mas era uma espécie que já havia sido batizada anteriormente em 1988 (Philogenia mangosisa) e, pela regra de antiguidade, prevaleceu o nome mais antigo.